Inspire-se em uma mulher


É uma pena que preciso escrever isso com pressa, o cotidiano sabe ser cruel a sua maneira. Hoje é o Dia Internacional da Mulher, e acho que apesar do fato egoísta de pensar que há só um dia da mulher, e não todos os dias, existe muito mais além disso. Se hoje vivemos em tempos de imposição, é principalmente com a vontade de não repetir os erros do passado, e como não podemos mudar muito além do que o braço alcança, há muito valor em romper essa película que nos distancia das vozes dos outros.

Na verdade o post tem outro objetivo além dessas divagações. Gostaria de falar um pouco sobre o papel das artistas mulheres em nossas vidas. Todo artista carrega em sua memória aqueles artistas que se tornam símbolos de imortalidade por justamente suas obras sempre serem citadas, copiadas, exaltadas como arte por excelência. Estranho bastante como vez por outra vejo artistas homens e mulheres evitarem identificar o seu trabalho com o trabalho de artista mulheres pois ainda é propagado que mulheres não produzem a arte que não é o suficiente, pelo menos não o suficiente para inspirar outros artistas. Podemos culpar muita gente, muitas circunstâncias, podemos dizer que o mercado às escondem, que elas se fecham em pequenos nichos, mas até nos círculos mais restritos vemos as mulheres artistas esquecidas por outros artistas homens e mulheres. Até porque sempre há um homem melhor, porque eles se destacam por critérios que eles mesmo criaram, porque ainda até nos espaços de crítica, a visão de um certo tipo de homem é inquestionável; "porque eles são fodas" é o que dizem e por isso fica.

Virginia Woolf em seu último ato de criação
Quando falamos em influência não devemos nos fechar em identificações básicas, cada artista traz uma obra que ecoa uma voz que nos mostra uma forma de melhorar a realidade que me rodeia. Por que não além de entender o artista, não entender as nuances das obras que el@ fez? Muito se incentiva e idolatra as mulheres que fazem arte, elas são divulgadas, e suas biografias virão lendas, mas o que de fato queremos de suas obras? Estranho ver como artista como Frida Kahlo e Virginia Woolf serem muito mais celebradas como personas do que como aqueles artistas no qual preferimos discutir suas obras, pelo o que elas são, o peso que elas trazem às nossas vidas, entre outras coisas.

Acho que só Virginia Woolf poderia ter pensado algo tão lindo assim.

Sempre lembramos das mulheres mães, filhas, irmãs, mas onde estão as mulheres artistas em nossas memórias? Eu, como homem que se propõe artista, adoraria ser tão bom no ofício que escolhi como muitas mulheres. Luto todo dia para que eu seja tão bom como a Björk, Ai Yazawa ou Clarice Lispector mesmo sabendo que morrerei no meio do caminho, porque sei que caminhamos cada uma a sua maneira, e porque principalmente suas obras valem a pena. Elas nos dão tanto sem pedir nada em troca: e assim será.

E é isso,
Oráculo

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