Clock Tower: Jogos do subsolo


Provavelmente esse jogo já tem muitas análises e reviews, entre outras formas de comentários sobre ele, contudo compartilho com vocês a incrível experiência que tive com esse jogo, porque na verdade acho mais que importante continuar a falar sobre jogos de videogame que superam a expectativa comum, pois precisamos manter o que achamos preciso nos games, e Clock Tower (1995) é uma joia rara. Clique em Mais Informações para continuar : )


O jogo foi criado pela Human Entertainment, desconhecida por mim à primeira vista, mas que depois eu descobri que já conhecia a empresa (já já falou mais sobre isso). No ano de 1995, eles nos apresentam à uma narrativa tensa (e densa) sobre quatros meninas órfãs adotadas por uma das professoras do orfanato em que vivem. À caminho da nova vida, reparam que será em uma casa grande, com uma destacosa torre do relógio. Ao chegar no salão principal, a nova "mãe" as deixam esperando até que Jennifer, a personagem que você assumi no jogo, antes que você perceba, absurdamente se ver sozinha das outras garotas e de todo mundo, a partir daí seguir em frente é aceitar um contrato com um pesadelo que se sonha de olhos abertos.  

Lançado em 1995, o game estreou na época dos lançamentos do famoso Donkey Kong 2, Mortal Kombat III, Mega Man X2, jogos que prezam pela velocidade das reações do jogadores, o ritmo frenético sempre foi a tônica dos jogos eletrônicos até hoje, claro que há as exceções, como os jogos RPG, a versão de Chroro Trigger para Play Station também é dessa época, o que cria o contraponto a todo essa tradição de euforia nos games.
Donk Kong Country 2: Diddy's Kong Quest,
Mortal Kombat III,
e Mega Man X2, percebe como esses jogos são rápidos e agitados?
Mas porque estou insistindo nisso? Clock Tower é baseado nesse aspecto, o Tempo, ele, que está presente em quase toda as manifestações artísticas. O efeito de suspense, quase todos os efeitos artísticos na verdade, só é possível quando o Tempo é usado com maestria, e temos exemplos de toda a sorte: Edgar Allan Poe usa o tempo em suas histórias, Hitchcock usa o tempo em seus filmes. Claro que não seram somente os jogos "lentos" que são detectados como geniais manifestações de arte, a questão aqui é ver que Clock Tower não tem o ritmos dos RPGs, nem tão pouco dos jogos de aventura comum, ele fez a façanha de propor o seu próprio tempo ao jogador, e uma vez dentro deste universo, é possível sentir coisas que talvez você nunca tenha sentido antes.

Eis Clock Tower: Percebe a diferença?
Não tenho um espírito gamer forte dentro de mim, mas Clock Tower facilmente se mostra até aos mais leigos como uma espécie de antigame. Se outrora você precisa superar o tempo, pois ele é sempre mais rápido que você, em Clock Tower o tempo esta suspenso, pode ser que tudo acabe em 10 minutos, 3 horas, não importa, é como sonhar entrando dentro d'àgua, ou uma gravidade alterada, mais real que o normal; não é a toa que o jogo se chama "a torre do relógio".  E acho importante ressaltar essa qualidade tão únicas nas obras de arte e até em outros jogos eletrônicos, como havia dito, já havia jogado a muito tempo um jogo chamado S.O.S., que também é da Human, e também usa o tempo de outra maneira.
S.O.S.: Não é terror, mas é perturbador do mesmo jeito.
Em S.O.S. estamos a beira de uma tragédia no qual um navio chique está preste a afundar nas profundezas do oceano. Antes você escolherá um dos que estão no navio para lutar pela sua vida, e daí resta encontrar a saída, antes que seja tarde. Contudo, assim como Clock Tower, você não tem uma noção do tempo que passa, só quando você "morre" (na verdade nesse jogo você não morre, apenas desmaia, e só aí que aparece quanto tempo ainda resta para escapar), porém, diferente dele há a clássica quetão da superação do tempo. Os dois jogos são sobre sobrevência, mas o tempo não é só um obstáculo, ou um inimigo, ele é mais do que isso, ele é o sentido, o motivo pelo qual o jogo existe. O Tempo é o coração de Clock Tower. Se Shadow of Colossus redimensiona nossa percepção de Espaço nos jogos eletrônicos,  Clock Tower faz isso com o Tempo.

Acho que ninguém esperava que os videogames como manifestações de arte não iriam tão longe assim. Sem dúvida que o que eu achei mais tocante nesta arrumação toda é me tocar de que há ainda muitos jogos a serem descobertos, todos eles aguardando pacientemente debaixo dos nossos pés. Mas destaco principalmente como os jogadores se aperfeiçoaram como motivo para tanto, tais jogos poderiam, facilmente, passar despercebidos, mas é um rápida pesquisa na internet para perceber como mudamos (para melhor?) a nossa percepção do nosso objeto de paixão, os videogames.


Sei que o post ficou longo, espero não ter enfadado vocês, 
por enquanto é isso : D
Oráculo

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