O fanzine como instante ou A excelência antiquada

Foto de Ize Louise
Eles são breves como esses bilhetes que servem para nos lembrar o quanto de amor flutuar no ar, de consumo intenso, que podem ser rápido mas muito longe de serem vazios, os fanzines (que é a denominação que remete muito mais aos modos de produção de impressão do que de fato a um gênero dos quadrinhos) se revertem a nós como um instante onde o espaço dos quadros e o tempo da leitura se encontram no simples fluxo do dia-a-dia. Ler um fanzine é percorrer a estranha sensação de assistir um avião cruzar o céu que nossos olhos abarcam.

Hoje podemos acessar quadrinhos na internet, nela são publicados quadrinhos de toda a sorte, e logo vemos que a mídia moldou a linguagem para si, mas acho que pelo descuido do tempo vemos os fanzines permitindo tudo, pois sempre precisaremos de um lugar onde as expectativas não nos prendam.

Penso nisso tendo em vista os fanzines produzidos e vendidos nos eventos que Fortaleza nos proporciona. Artistas de toda forma nos permitem ver, por meio da materialidade do fanzine, quadrinhos que não nos exigem muito porém nos entregam algo que não conseguimos conter; sejam eles os relatos do eu, ou a ficção despreocupada, que sabe que não atinge a excelência antiquada, mas o ser humano não precisa só de olhos para viver, tão pouco para a arte.

Espero que, cá entre nós, todo instante não passe desacreditado; presença e virtualidade constroem os quadrinhos que serão necessários amanhã para combater o que insiste; e que possamos extrair de um bom fanzine seja algo que está entre a glória da publicação independente e a ordinariedade da falta de verdadeiros heróis que nos salvem o dia.

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